No dia 28 de agosto, foi realizado na nova sala de simulação do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental (TOCE) do Departamento de Cirurgia da UFSC o Workshop de Punção e Cateterismo Venoso Periférico e Arterial, atividade prática conduzida em simuladores. O evento integrou a programação da Semana Acadêmica de Medicina e foi organizado pela Liga Acadêmica de Medicina Interna.
Participaram do treinamento acadêmicos da 1ª à 7ª fase do Curso de Medicina da UFSC, que tiveram a oportunidade de desenvolver habilidades essenciais em coleta de sangue venoso e arterial e na instalação de linhas venosas periféricas, integrando teoria e prática aplicada. O objetivo foi capacitar os estudantes para executar esses procedimentos durante os estágios em postos de saúde e em situações de emergência, fortalecendo sua preparação para a prática clínica.
Os acadêmicos Adroaldo Vieira Sá Neto, Adrian Davi da Silva Ferraz de Oliveira, Gabriel Adler Costa e Silva e Luiz Fernando de Souza Santos, membros da Liga de Medicina Interna, atuaram como instrutores, sob supervisão do Prof. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, garantindo a condução didática e a segurança das atividades práticas. O workshop contou ainda com o apoio técnico da técnica em enfermagem Larissa Helena Pinho, que auxiliou na organização e condução das atividades.
A atividade destacou-se pela proposta inovadora, pela participação ativa dos estudantes e pela utilização da nova estrutura do TOCE, reforçando o compromisso da UFSC com a formação médica voltada para a prática segura e fundamentada em princípios anatômicos.
No dia 27 de agosto, foi realizado na UFSC o Workshop de Bloqueios Nervosos da Mão, atividade prática conduzida em peças cadavéricas. O evento foi organizado pela Liga Acadêmica do Trauma, sob a presidência do acadêmico Adroaldo Vieira Sá Neto.
Participaram do treinamento acadêmicos da 5ª, 6ª e 7ª fases do Curso de Medicina da UFSC, que tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos em técnicas de bloqueios nervosos, integrando teoria e prática aplicada.
Os acadêmicos Adroaldo Vieira Sá Neto e Adrian Davi da Silva Ferraz de Oliveira atuaram como instrutores do workshop, sob supervisão do Prof. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, garantindo a condução didática e a segurança das atividades práticas.
O workshop, que integrou a programação da Semana Acadêmica de Medicina, destacou-se pela proposta inovadora e pela participação ativa dos estudantes, reforçando o compromisso da UFSC com a formação médica voltada para a prática segura e fundamentada em princípios anatômicos.
No dia 26 de agosto, a UFSC realizou o curso de extensão em Bloqueios Nervosos Periféricos de Mão e Pé, que contou com a participação de 13 médicos tutores e residentes das áreas de Saúde da Família e Medicina de Urgência.
A capacitação foi ministrada pelas professoras Ana Paula Mazargão Casadei e Elisa C. Winkelmann Duarte, do Departamento de Morfologia, e pelo professor Getúlio R. de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia, que também coordenou o curso. A atividade teve o apoio do médico residente em Anestesiologia Danilo Kotake e dos acadêmicos de Medicina Adrian Davi da Silva Ferraz de Oliveira, Giancarlo Beluzzo da Motta de Lima Sinke, Adroaldo Vieira Sá Neto e Milena Cristina Mafra, que atuaram como facilitadores. O curso contou com o apoio do técnico em anatomia Thiago Medeiros Rocha e da técnica em enfermagem Larissa Pinho.
A programação combinou aulas teóricas sobre anatomia e anestesia local com práticas em peças anatômicas, abordando técnicas de bloqueios nervosos. Os participantes avaliaram o curso como altamente proveitoso e de grande aplicabilidade na prática clínica.
Este curso representa uma colaboração da UFSC com a formação e aprimoramento de médicos em formação e atuantes pela Secretaria de Estado da Saúde/ SC.
À medida que os estudantes se aproximam do final do curso de medicina e se preparam para ingressar em programas de residência em cirurgia, é fundamental que possuam uma base sólida em habilidades técnicas e não técnicas. Diversos estudos e entidades de ensino médico destacam que a proficiência precoce em competências cirúrgicas básicas não apenas contribui para a segurança do paciente, mas também facilita uma transição mais tranquila para o ambiente desafiador do treinamento cirúrgico.
A Importância da Preparação Cirúrgica Pré-Residência
Os programas de residência esperam, cada vez mais, que os novos residentes demonstrem desde o primeiro dia de treinamento o domínio de habilidades essenciais. Essa expectativa reflete a realidade da prática cirúrgica contemporânea, na qual há pouco tempo disponível para remediar deficiências em técnicas básicas e onde a segurança do paciente e a eficiência no centro cirúrgico são prioridades.
Competências que o Estudante Deve Adquirir
Diversas competências são amplamente reconhecidas como essenciais para estudantes que se preparam para as residências em cirurgia:
- Suturas e nós cirúrgicos básicos: O estudante deve ser capaz de realizar pontos simples interrompidos, suturas contínuas e nós cirúrgicos seguros, tanto em técnicas abertas quanto laparoscópicas.
- Técnicas de assepsia e protocolos do centro cirúrgico: O domínio adequado das técnicas de escovação, paramentação, uso de luvas e manutenção do campo estéril é fundamental.
- Manuseio de instrumentos cirúrgicos: É esperado que o estudante saiba identificar e utilizar instrumentos básicos como porta-agulhas, pinças e tesouras.
- Execução de procedimentos básicos: Inserção de sonda vesical de demora, punção venosa periférica, passagem de sonda nasogástrica e manejo básico de vias aéreas são habilidades indispensáveis.
- Interpretação de exames básicos: A leitura de radiografias de tórax, a interpretação de gasometrias arteriais e de eletrocardiogramas simples são competências diagnósticas importantes.
- Comunicação e documentação clínica: A redação correta de evoluções e prescrições, bem como a comunicação eficaz com a equipe cirúrgica, são habilidades não técnicas essenciais.
O Papel do Departamento de Cirurgia
O Departamento de Cirurgia está plenamente capacitado para oferecer a base de conhecimento e habilidades necessárias aos estudantes de medicina que se preparam para ingressar nas residências em cirurgia. Por meio de laboratórios de habilidades, treinamentos em simulação e atividades práticas estruturadas, o departamento proporciona aos estudantes oportunidades para desenvolver essas competências sob orientação qualificada. Nossa missão é garantir que os formandos estejam confiantes, preparados e aptos a atender às exigências dos programas de residência.
Referencias:
- Langdale LA, Schaad DC, Wipf JE, Marshall SG, Pangaro LN. Preparing graduates for the surgical residency: developing a curriculum for the fourth year of medical school. Journal of Surgical Education. 2003;60(6):335–339.
- 2. Naylor RA, Hollett LA, Valentine RJ, Bowling MW, Ma AM, Rich NM, et al. Can medical students achieve skills proficiency through simulation training? American Journal of Surgery. 2010;199(6):797–802.
- 3. American College of Surgeons & Association for Surgical Education. Medical Student Core Curriculum.https://www.facs.org/for-medical-professionals/education/programs/acsase-medical-student-core-curriculum/
A formação cirúrgica está mudando — e nem sempre para melhor. Segundo o artigo publicado no Annals of the Royal College of Surgeons of England, o conhecimento anatômico dos cirurgiões em formação tem sido motivo de crescente preocupação entre os próprios treinadores cirúrgicos. Em uma pesquisa realizada com 174 cirurgiões britânicos, 97,7% dos entrevistados se opuseram à redução do conteúdo de anatomia nas grades curriculares, e a grande maioria considera a demonstração anatômica essencial ou importante na formação dos futuros cirurgiões.
A pesquisa revelou ainda que 88,5% dos formadores acreditam que atuar como demonstrador de anatomia melhora as habilidades didáticas do cirurgião, e 96,6% afirmam que essa prática eleva o conhecimento anatômico — uma base inegociável da prática cirúrgica. No entanto, mudanças nos currículos médicos e nas exigências dos exames de qualificação têm deslocado o foco da formação, priorizando habilidades de comunicação em detrimento das ciências básicas, como a anatomia.
O estudo conclui que, para manter padrões elevados de competência clínica, é essencial revalorizar o ensino anatômico. Cursos locais e regionais de anatomia cirúrgica aplicada, e mesmo a reinstituição de postos formais de demonstradores de anatomia, podem ser caminhos viáveis. Afinal, como já foi dito: “As ciências básicas são os alicerces da medicina científica — e é sobre elas que se constrói a habilidade clínica.”
Referência:
Tibrewal S. The anatomy knowledge of surgical trainees: the trainer’s view. Ann R Coll Surg Engl (Suppl). 2006;88:240–242. DOI: 10.1308/147363506X113857.