3ª edição do Curso Fundamentos da Cirurgia reúne residentes e estudantes de Medicina na UFSC

01/09/2026 13:14

No dia 29 de agosto de 2026, foi realizada, no Laboratório da TOCE do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), a 3ª edição do Curso Teórico-Prático Fundamentos da Cirurgia: Nós, Fios e Suturas Convencionais, Mecânicas e Videolaparoscópicas.

A edição contou com 13 participantes, entre eles três médicas residentes de Cirurgia Geral do HU-UFSC, além de internos e acadêmicos de diferentes fases do curso de Medicina, provenientes da UFSC – Florianópolis, UFSC – Araranguá, UNISUL – Palhoça e UNIFEBE – Brusque.

Com metodologia baseada em estudo teórico prévio, realizado a partir do e-book “Fundamentos da Cirurgia: Guia Prático e Ilustrado”, produzido com a participação de acadêmicos de Medicina e professores da UFSC, e treinamento presencial supervisionado, o curso buscou integrar fundamentos teóricos ao desenvolvimento de habilidades cirúrgicas fundamentais. A programação incluiu discussão do conteúdo previamente estudado, treinamento com grampeadores mecânicos e diferentes formas de energia, além de rodízio por quatro estações práticas.

Nas estações, os participantes realizaram treinamento de nós e suturas convencionais, pontos e suturas videolaparoscópicas, diferentes técnicas de suturas separadas e contínuas em modelos sintéticos e tecido orgânico, além de anestesia local, locorregional e bloqueios em modelos experimentais orgânicos.

A atividade contou com a participação dos professores do Departamento de Cirurgia da UFSC: José Roberto Alves (coordenador do curso), Aldo Elias K. Takano de Saidneuy, Rafael Pigozzi Cabral e Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, além de monitores acadêmicos Adroaldo Vieira Sá Neto, Lucas José Lunelli Vital, Júlia Molon e Isaque Costa Conceição e dos técnicos do Laboratório da TOCE, Alexandre Passos, Larissa Helena Pinho  e Mário César Ferreira, promovendo a integração entre diferentes níveis de formação e instituições de ensino médico de Santa Catarina.

A iniciativa integra as atividades de ensino e extensão voltadas ao aprimoramento da formação cirúrgica, aproximando o conhecimento teórico da prática e proporcionando aos participantes treinamento supervisionado de habilidades fundamentais para a formação médica e para o desenvolvimento futuro nas especialidades cirúrgicas.

Coloproctologia e Residência Médica recebem Moção de Parabenização

26/08/2026 17:09

Serviço de Coloproctologia do HU-UFSC e Residência Médica Coloproctologia recebem Moção de Parabenização da Câmara Municipal de Palhoça. O Serviço de Coloproctologia do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC) e o Programa de Residência Médica em Coloproctologia foram homenageados pela Câmara Municipal de Palhoça no dia 25/08/2026 com uma Moção de Parabenização pelos serviços e atendimentos prestados à sociedade catarinense.

A homenagem reconhece a atuação do Serviço de Coloproctologia na assistência à população, bem como seu compromisso com o ensino e a formação de novos especialistas, desenvolvidos de forma integrada entre o HU-UFSC, a Residência Médica e o Departamento de Cirurgia da UFSC.

Foram homenageados o Prof. Dr. José Mauro dos Santos, Professor Titular do Departamento de Cirurgia da UFSC e Supervisor da Residência Médica de Coloproctologia, e o Prof. Dr. Humberto Fenner Lyra Junior, médico servidor do HU-UFSC, docente do Departamento de Cirurgia e Preceptor da Residência Médica de Coloproctologia, juntamente com os médicos residentes Cristiano Degasperi, Ricardo Sandri e Mayara Mayer Alves.

O reconhecimento reforça o compromisso da UFSC e do HU-UFSC com a assistência à saúde, o ensino e a formação médica especializada, destacando a contribuição do Serviço de Coloproctologia para a saúde da população catarinense.

A equipe do Serviço de Coloproctologia agradece à Câmara Municipal de Palhoça pela homenagem e pelo reconhecimento ao trabalho desenvolvido em benefício da sociedade.

 

Galeria de ex-chefes do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental recebe retrato do Prof. Edevard José de Araújo

13/08/2026 14:18

O Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Santa Catarina realizou o descerramento da fotografia do Prof. Edevard José de Araújo na Galeria de Ex-Chefes do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental.

Cirurgião pediátrico, o Prof. Edevard esteve à frente do Laboratório entre 2011 e 2021. Ao longo de uma década de gestão, contribuiu para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e formação acadêmica vinculadas ao Departamento de Cirurgia.

Seu retrato passa agora a integrar a galeria que homenageia os ilustres professores que exerceram a chefia do Laboratório e que, por meio de gestões competentes e dedicadas, contribuíram para o fortalecimento e o enriquecimento do Departamento.

A inclusão de sua fotografia representa o reconhecimento institucional pelo trabalho realizado e preserva a memória daqueles que participaram da construção da história do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UFSC.

O Departamento de Cirurgia agradece ao Prof. Edevard José de Araújo por sua dedicação e pelas relevantes contribuições prestadas durante o período em que exerceu a chefia do Laboratório.

A inovação acontece quando diferentes saberes se encontram

26/06/2026 12:32

A formação em saúde enfrenta desafios cada vez mais complexos, que dificilmente podem ser solucionados por uma única área do conhecimento. É justamente na interface entre diferentes disciplinas que surgem algumas das soluções mais criativas e eficazes. A colaboração transdisciplinar permite integrar conhecimentos, metodologias e perspectivas distintas para desenvolver tecnologias, aperfeiçoar processos de ensino e responder de forma mais inovadora às necessidades da sociedade.

Um excelente exemplo dessa integração foi a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso de Mateus Eller Behr, aluno do Curso de Design da UFSC. Sob orientação da professora Regiane Trevisan Pupo, Mateus projetou e construiu o protótipo de um simulador para treinamento de cricotireoidostomia, procedimento de emergência utilizado para obtenção de uma via aérea em situações críticas.

O desenvolvimento do simulador contou também com a colaboração do Professor Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, que atuou como supervisor clínico do projeto. A parceria entre Design e Medicina permitiu aliar princípios de projeto e fabricação de produtos à experiência clínica e às necessidades do ensino da cirurgia, resultando em um protótipo funcional e com elevado potencial para aplicação na educação médica.

Mais do que um trabalho de conclusão de curso, esta iniciativa demonstra como a aproximação entre diferentes áreas do conhecimento amplia a capacidade de inovação da universidade. O Design contribui com metodologias de desenvolvimento centradas no usuário, seleção de materiais, ergonomia e processos de fabricação, enquanto a Medicina fornece o conhecimento clínico indispensável para garantir fidelidade anatômica, realismo funcional e relevância educacional.

O Departamento de Cirurgia parabeniza Mateus Eller pela excelente defesa, bem como a Professora Regiane Puppo pela orientação e todos os envolvidos nesta colaboração. Projetos como este reforçam o compromisso da UFSC com uma formação acadêmica inovadora, mostrando que as melhores soluções frequentemente surgem quando diferentes áreas trabalham em torno de um objetivo comum: formar melhores profissionais e produzir conhecimento capaz de transformar a prática em saúde.

Liderança Cirúrgica: O que estamos realmente ensinando aos futuros cirurgiões?

19/10/2025 12:50

Nas salas cirúrgicas modernas, a liderança deixou de ser um atributo intuitivo ou nato — tornou-se uma competência fundamental, tão importante quanto a habilidade técnica. Ser líder em cirurgia é mais do que conduzir uma equipe; é inspirar segurança, manter padrões, decidir sob pressão e comunicar-se com clareza em momentos críticos.

“O cirurgião moderno precisa dominar não apenas o bisturi, mas também a comunicação, a gestão e o autocontrole em ambientes de alta complexidade.”

Da técnica à liderança

A educação cirúrgica evoluiu muito desde o modelo de Halsted no século XIX, baseado essencialmente em volume e exposição. Hoje, com a redução das cargas horárias e o foco crescente na segurança do paciente, o treinamento precisa contemplar fatores humanos e competências não técnicas — como comunicação, trabalho em equipe e liderança (Fritz et al., 2019).

Contudo, como lembram Fritz e colaboradores, ainda há grandes lacunas na formação estruturada de residentes, especialmente quanto à mensuração e ao desenvolvimento dessas habilidades. Em muitos programas, as avaliações permanecem restritas a listas de procedimentos técnicos e à certificação subjetiva de preceptores.

“A liderança é a ferramenta mais silenciosa — e talvez a mais poderosa — da segurança cirúrgica.”

A anatomia da liderança cirúrgica

Henrickson Parker e colegas desenvolveram o Surgeons’ Leadership Inventory (SLI), um instrumento empírico para avaliar comportamentos de liderança intraoperatória (Henrickson Parker et al., 2013). O inventário identifica oito dimensões observáveis da liderança no centro cirúrgico:

  • Manter padrões (segurança e qualidade da prática);
  • Tomar decisões;
  • Gerir recursos;
  • Direcionar a equipe;
  • Treinar e instruir;
  • Apoiar os outros;
  • Comunicar-se de modo eficaz;
  • Lidar com a pressão.

Essas competências formam a espinha dorsal da liderança cirúrgica e têm impacto direto sobre o desempenho da equipe e a segurança do paciente.

Por que ensinar liderança?

Falhas de liderança estão entre as causas mais frequentes de eventos adversos em saúde. Em cirurgia, o desafio é duplo: o cirurgião precisa liderar e, ao mesmo tempo, executar tarefas técnicas complexas. Ensinar liderança significa ensinar o cirurgião a pensar além do bisturi — a gerir conflitos, delegar, supervisionar e inspirar. A liderança é, afinal, uma habilidade treinável e mensurável, assim como a técnica operatória.

“Não basta formar bons operadores. É preciso formar bons líderes — capazes de transformar o ambiente cirúrgico em espaço de aprendizado e confiança.”

Do preceptor ao mentor

O cirurgião-educador também exerce papel central nesse processo. Ele deve ser modelo de liderança — demonstrando calma, entusiasmo e empatia, como destacam Fritz et al. (2019). A formação de líderes cirúrgicos exige ambientes que valorizem o feedback estruturado, a autonomia progressiva e o aprendizado reflexivo.

Conclusão

A próxima geração de cirurgiões precisa dominar não apenas a técnica, mas também o comando sereno da sala operatória. Ensinar liderança é preparar profissionais capazes de garantir segurança, qualidade e humanidade na prática cirúrgica. O desafio não é apenas formar bons operadores, mas bons líderes — e essa é, talvez, a cirurgia mais delicada que podemos realizar.


Referências

  1. Fritz T, Stachel N, Braun BJ. Evidence in surgical training – a review. Innov Surg Sci. 2019; 4(1): 7–13. https://doi.org/10.1515/iss-2018-0026
  2. Henrickson Parker S, Flin R, McKinley A, Yule S. The Surgeons’ Leadership Inventory (SLI): a taxonomy and rating system for surgeons’ intraoperative leadership skills. Am J Surg. 2013; 205(6): 745–751. https://doi.org/10.1016/j.amjsurg.2012.02.020
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