Departamento de Cirurgia

  • A inovação acontece quando diferentes saberes se encontram

    A formação em saúde enfrenta desafios cada vez mais complexos, que dificilmente podem ser solucionados por uma única área do conhecimento. É justamente na interface entre diferentes disciplinas que surgem algumas das soluções mais criativas e eficazes. A colaboração transdisciplinar permite integrar conhecimentos, metodologias e perspectivas distintas para desenvolver tecnologias, aperfeiçoar processos de ensino e responder de forma mais inovadora às necessidades da sociedade.

    Um excelente exemplo dessa integração foi a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso de Mateus Eller, aluno do Curso de Design da UFSC. Sob orientação da Professora Regiane Puppo, Mateus projetou e construiu o protótipo de um simulador para treinamento de cricotireoidostomia, procedimento de emergência utilizado para obtenção de uma via aérea em situações críticas.

    O desenvolvimento do simulador contou também com a colaboração do Professor Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, que atuou como supervisor clínico do projeto. A parceria entre Design e Medicina permitiu aliar princípios de projeto e fabricação de produtos à experiência clínica e às necessidades do ensino da cirurgia, resultando em um protótipo funcional e com elevado potencial para aplicação na educação médica.

    Mais do que um trabalho de conclusão de curso, esta iniciativa demonstra como a aproximação entre diferentes áreas do conhecimento amplia a capacidade de inovação da universidade. O Design contribui com metodologias de desenvolvimento centradas no usuário, seleção de materiais, ergonomia e processos de fabricação, enquanto a Medicina fornece o conhecimento clínico indispensável para garantir fidelidade anatômica, realismo funcional e relevância educacional.

    O Departamento de Cirurgia parabeniza Mateus Eller pela excelente defesa, bem como a Professora Regiane Puppo pela orientação e todos os envolvidos nesta colaboração. Projetos como este reforçam o compromisso da UFSC com uma formação acadêmica inovadora, mostrando que as melhores soluções frequentemente surgem quando diferentes áreas trabalham em torno de um objetivo comum: formar melhores profissionais e produzir conhecimento capaz de transformar a prática em saúde.


  • Liderança Cirúrgica: O que estamos realmente ensinando aos futuros cirurgiões?

    Nas salas cirúrgicas modernas, a liderança deixou de ser um atributo intuitivo ou nato — tornou-se uma competência fundamental, tão importante quanto a habilidade técnica. Ser líder em cirurgia é mais do que conduzir uma equipe; é inspirar segurança, manter padrões, decidir sob pressão e comunicar-se com clareza em momentos críticos.

    “O cirurgião moderno precisa dominar não apenas o bisturi, mas também a comunicação, a gestão e o autocontrole em ambientes de alta complexidade.”

    Da técnica à liderança

    A educação cirúrgica evoluiu muito desde o modelo de Halsted no século XIX, baseado essencialmente em volume e exposição. Hoje, com a redução das cargas horárias e o foco crescente na segurança do paciente, o treinamento precisa contemplar fatores humanos e competências não técnicas — como comunicação, trabalho em equipe e liderança (Fritz et al., 2019).

    Contudo, como lembram Fritz e colaboradores, ainda há grandes lacunas na formação estruturada de residentes, especialmente quanto à mensuração e ao desenvolvimento dessas habilidades. Em muitos programas, as avaliações permanecem restritas a listas de procedimentos técnicos e à certificação subjetiva de preceptores.

    “A liderança é a ferramenta mais silenciosa — e talvez a mais poderosa — da segurança cirúrgica.”

    A anatomia da liderança cirúrgica

    Henrickson Parker e colegas desenvolveram o Surgeons’ Leadership Inventory (SLI), um instrumento empírico para avaliar comportamentos de liderança intraoperatória (Henrickson Parker et al., 2013). O inventário identifica oito dimensões observáveis da liderança no centro cirúrgico:

    • Manter padrões (segurança e qualidade da prática);
    • Tomar decisões;
    • Gerir recursos;
    • Direcionar a equipe;
    • Treinar e instruir;
    • Apoiar os outros;
    • Comunicar-se de modo eficaz;
    • Lidar com a pressão.

    Essas competências formam a espinha dorsal da liderança cirúrgica e têm impacto direto sobre o desempenho da equipe e a segurança do paciente.

    Por que ensinar liderança?

    Falhas de liderança estão entre as causas mais frequentes de eventos adversos em saúde. Em cirurgia, o desafio é duplo: o cirurgião precisa liderar e, ao mesmo tempo, executar tarefas técnicas complexas. Ensinar liderança significa ensinar o cirurgião a pensar além do bisturi — a gerir conflitos, delegar, supervisionar e inspirar. A liderança é, afinal, uma habilidade treinável e mensurável, assim como a técnica operatória.

    “Não basta formar bons operadores. É preciso formar bons líderes — capazes de transformar o ambiente cirúrgico em espaço de aprendizado e confiança.”

    Do preceptor ao mentor

    O cirurgião-educador também exerce papel central nesse processo. Ele deve ser modelo de liderança — demonstrando calma, entusiasmo e empatia, como destacam Fritz et al. (2019). A formação de líderes cirúrgicos exige ambientes que valorizem o feedback estruturado, a autonomia progressiva e o aprendizado reflexivo.

    Conclusão

    A próxima geração de cirurgiões precisa dominar não apenas a técnica, mas também o comando sereno da sala operatória. Ensinar liderança é preparar profissionais capazes de garantir segurança, qualidade e humanidade na prática cirúrgica. O desafio não é apenas formar bons operadores, mas bons líderes — e essa é, talvez, a cirurgia mais delicada que podemos realizar.


    Referências

    1. Fritz T, Stachel N, Braun BJ. Evidence in surgical training – a review. Innov Surg Sci. 2019; 4(1): 7–13. https://doi.org/10.1515/iss-2018-0026
    2. Henrickson Parker S, Flin R, McKinley A, Yule S. The Surgeons’ Leadership Inventory (SLI): a taxonomy and rating system for surgeons’ intraoperative leadership skills. Am J Surg. 2013; 205(6): 745–751. https://doi.org/10.1016/j.amjsurg.2012.02.020

  • Nova Chefia do Departamento de Cirurgia

    Assume a Chefia do Departamento de Cirurgia o Prof. Gilberto do Nascimento Galego, neste 10 de setembro de 2025.

    Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (1988), obteve o Doutorado em Cirurgia  pela Universidad Autonoma de Barcelona (1992). É Professor Titular do Departamento de cirurgia  da Universidade Federal de Santa Catarina, Cirurgião Vascular e Endovascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

    O prof. Gilberto sucede ao Prof. Getúlio R. de Oliveira Filho na missão de conduzir o Departamento de Cirurgia.

     


  • Workshop de Punção e Cateterismo Venoso e Arterial capacita estudantes da UFSC

    No dia 28 de agosto, foi realizado na nova sala de simulação do Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental (TOCE) do Departamento de Cirurgia da UFSC o Workshop de Punção e Cateterismo Venoso Periférico e Arterial, atividade prática conduzida em simuladores. O evento integrou a programação da Semana Acadêmica de Medicina e foi organizado pela Liga Acadêmica de Medicina Interna.

    Participaram do treinamento acadêmicos da 1ª à 7ª fase do Curso de Medicina da UFSC, que tiveram a oportunidade de desenvolver habilidades essenciais em coleta de sangue venoso e arterial e na instalação de linhas venosas periféricas, integrando teoria e prática aplicada. O objetivo foi capacitar os estudantes para executar esses procedimentos durante os estágios em postos de saúde e em situações de emergência, fortalecendo sua preparação para a prática clínica.

    Os acadêmicos Adroaldo Vieira Sá Neto, Adrian Davi da Silva Ferraz de Oliveira, Gabriel Adler Costa e Silva e Luiz Fernando de Souza Santos, membros da Liga de Medicina Interna, atuaram como instrutores, sob supervisão do Prof. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, garantindo a condução didática e a segurança das atividades práticas. O workshop contou ainda com o apoio técnico da técnica em enfermagem Larissa Helena Pinho, que auxiliou na organização e condução das atividades.

    A atividade destacou-se pela proposta inovadora, pela participação ativa dos estudantes e pela utilização da nova estrutura do TOCE, reforçando o compromisso da UFSC com a formação médica voltada para a prática segura e fundamentada em princípios anatômicos.


  • Workshop de Bloqueios Nervosos da Mão reúne acadêmicos de Medicina na UFSC

    No dia 27 de agosto, foi realizado na UFSC o Workshop de Bloqueios Nervosos da Mão, atividade prática conduzida em peças cadavéricas. O evento foi organizado pela Liga Acadêmica do Trauma, sob a presidência do acadêmico Adroaldo Vieira Sá Neto.

    Participaram do treinamento acadêmicos da 5ª, 6ª e 7ª fases do Curso de Medicina da UFSC, que tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos em técnicas de bloqueios nervosos, integrando teoria e prática aplicada.

    Os acadêmicos Adroaldo Vieira Sá Neto e Adrian Davi da Silva Ferraz de Oliveira atuaram como instrutores do workshop, sob supervisão do Prof. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho, do Departamento de Cirurgia da UFSC, garantindo a condução didática e a segurança das atividades práticas.

    O workshop, que integrou a programação da Semana Acadêmica de Medicina, destacou-se pela proposta inovadora e pela participação ativa dos estudantes, reforçando o compromisso da UFSC com a formação médica voltada para a prática segura e fundamentada em princípios anatômicos.


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