Departamento de Cirurgia
  • Publicado em 11/09/2024 às 11:43

  • Educação Médica baseada em Simulação

    Publicado em 31/03/2025 às 15:55

    Educação Médica Baseada em Simulação

    A educação médica baseada em simulação representa uma revolução metodológica no ensino das ciências da saúde, oferecendo um ambiente seguro, controlado e altamente realista para o desenvolvimento de competências clínicas, técnicas e não técnicas. Ao permitir a prática deliberada sem risco ao paciente, a simulação tornou-se uma estratégia pedagógica essencial para a formação de profissionais mais preparados, confiantes e comprometidos com a segurança e a qualidade do cuidado.

    Por meio de manequins de alta e baixa fidelidade, simuladores virtuais, modelos anatômicos, jogos sérios, realidade aumentada e cenários padronizados com atores, é possível treinar desde habilidades motoras e procedimentos técnicos (como intubação, sutura, punções e cirurgias) até competências mais complexas, como tomada de decisão, comunicação em equipe, gestão de crises e ética profissional.

    A simulação proporciona feedback imediato, possibilita a repetição de tarefas até o domínio, reduz a curva de aprendizado e permite a avaliação objetiva do desempenho dos alunos em ambientes que reproduzem, com fidelidade, situações reais da prática médica. Além disso, promove uma cultura de segurança ao permitir que erros aconteçam e sejam discutidos de forma construtiva e sem dano real.

    Sua aplicação vai além da graduação, sendo amplamente empregada na residência médica, na educação interprofissional e na formação continuada de profissionais da saúde. Ela também se alinha aos princípios da educação baseada em competências e às recomendações de entidades internacionais como o Association of American Medical Colleges (AAMC) e a Society for Simulation in Healthcare (SSH).

    Ao integrar teoria, prática e reflexão crítica em um ambiente imersivo e colaborativo, a educação baseada em simulação transforma a forma como médicos e profissionais da saúde são preparados, contribuindo de maneira concreta para o fortalecimento da qualidade do ensino, a humanização do cuidado e a segurança dos pacientes.


  • Designado o Coordenador de Ensino do Departamento de Cirurgia

    Publicado em 08/11/2024 às 12:54

    Temos o prazer de anunciar que o Professor Rafael Narciso Franklin foi designado para a posição de Coordenador de Ensino do Departamento de Cirurgia. Essa nomeação representa um passo importante na busca contínua pela excelência pedagógica do nosso departamento, fortalecendo os processos educacionais e aprimorando a qualidade do ensino.

    Como Coordenador de Ensino, o Professor Rafael será responsável por assessorar o departamento em assuntos relacionados ao ensino, atuando como elo entre o Departamento de Cirurgia e a Coordenação de Ensino do Centro de Ciências da Saúde. Suas atribuições incluem a análise e parecer sobre mudanças de horários, ementas, carga horária e conteúdos programáticos das disciplinas; bem como a avaliação e implementação de novas metodologias didático-pedagógicas. Além disso, o Professor Rafael supervisionará a avaliação semestral dos planos de ensino e participará do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Medicina.

    Essa nova designação reforça nosso compromisso com o desenvolvimento educacional, proporcionando aos nossos alunos uma formação cada vez mais qualificada e alinhada com as melhores práticas de ensino. Desejamos ao Professor Rafael sucesso em sua nova função e estamos confiantes de que sua atuação contribuirá significativamente para o avanço do nosso departamento.


  • A Importância da Mentoria na Carreira Acadêmica em Medicina

    Publicado em 28/10/2024 às 19:35

    Características da Mentoria

    A mentoria desempenha um papel crucial na formação de profissionais médicos e acadêmicos, especialmente na fase inicial de suas carreiras. Mais do que um processo de orientação, a mentoria é uma parceria estruturada e intencional entre mentor e mentorando, voltada para o desenvolvimento pessoal e profissional de longo prazo. Esse processo é caracterizado pela iniciativa do mentorando, que busca ativamente o apoio de mentores para alcançar suas metas e aprimorar suas competências.

    Na mentoria, o mentor não se limita a transmitir conhecimentos técnicos, mas também oferece suporte em aspectos como habilidades interpessoais, cultura organizacional e estratégias de desenvolvimento de carreira. Esse relacionamento gera impacto na trajetória profissional e na satisfação com a carreira, pois fortalece as habilidades e a confiança do mentorando.

    Indicadores de Eficácia na Mentoria

    A eficácia de uma relação de mentoria pode ser avaliada por meio de indicadores específicos, que refletem o sucesso do processo em termos concretos e mensuráveis. Alguns dos principais indicadores incluem:

    Desempenho Acadêmico e Clínico: A mentoria eficaz resulta em melhor desempenho em atividades clínicas e acadêmicas, proporcionando ao mentorando uma base sólida para suas práticas e pesquisas.

    Produção Científica: A colaboração com mentores experientes pode aumentar a produção de artigos científicos, capítulos de livros e publicações em geral, que são essenciais para o crescimento acadêmico.

    Avanços na Carreira: O mentorado frequentemente progride na carreira de forma mais ágil, conquistando oportunidades como promoções, posições de liderança e inserção em redes profissionais relevantes.

    Ferramentas para Medir a Qualidade da Mentoria

    A qualidade da mentoria não precisa ser apenas subjetiva; ela pode ser avaliada de forma objetiva, utilizando-se ferramentas de medição específicas, como escalas de eficácia. Essas ferramentas permitem que o mentorado avalie a orientação recebida em termos de impacto real no seu desenvolvimento. Ao medir variáveis como a frequência de reuniões, a clareza dos feedbacks e o suporte em desafios específicos, essas ferramentas ajudam a assegurar que a relação de mentoria esteja cumprindo seus objetivos e proporcionando o suporte necessário para o mentorado.

    Conclusão

    Uma relação de mentoria eficaz, iniciada pelo mentorando, é um fator transformador para o desenvolvimento profissional em medicina. Através de uma parceria estruturada e com objetivos claros, o mentor oferece orientação que vai além do conhecimento técnico, formando profissionais mais preparados e líderes mais engajados. E, com o uso de ferramentas objetivas de medição, é possível garantir que o impacto da mentoria seja positivo e alinhado às metas de desenvolvimento do mentorado, contribuindo de forma concreta para o sucesso na carreira médica.

    Por isso, alunos e residentes são fortemente encorajados a buscar mentores entre os professores do Departamento de Cirurgia da UFSC, aproveitando a experiência e o conhecimento dos docentes para impulsionar seu desenvolvimento pessoal e profissional.

    Referência

    Berk, R. A., Berg, J., Mortimer, R., Walton-Moss, B., & Yeo, T. P. (2005). Measuring the effectiveness of faculty mentoring relationships. Academic Medicine, 80(1), 66-71. https://doi.org/10.1097/00001888-200501000-00017​⬤


  • A Base Moral da Liderança Médica: Virtudes Essenciais para Médicos

    Publicado em 13/10/2024 às 14:15

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    Em tempos de crescente complexidade nos sistemas de saúde, líderes médicos enfrentam o desafio de equilibrar eficiência gerencial e ética fiduciária. Mais que gestores focados em metas financeiras, eles têm o dever moral de atuar como fiduciários de seus pacientes, conforme discutido por Chervenak e McCullough no artigo “A Base Moral da Liderança Médica”.

    Virtudes Fundamentais da Liderança Médica

    Humildade: Líderes médicos devem agir sem preconceitos ou favoritismos, garantindo que decisões beneficiem equipes e pacientes de forma justa. Preconceitos comprometem o julgamento, resultando em desigualdade no tratamento.

    Abnegação: É essencial priorizar pacientes e equipes, mas sem comprometer a própria saúde a ponto de prejudicar a liderança. Sacrifícios devem ser ponderados, evitando o autossacrifício extremo.

    Compaixão: Além de um dever clínico, compaixão na liderança envolve compreender desafios enfrentados por colegas, liderando com empatia em contextos de mudanças organizacionais.

    Integridade: Decisões baseadas em evidências e transparência são cruciais. Líderes devem fomentar ambientes de confiança, promovendo uma cultura ética que valorize o cuidado ao paciente.

    Riscos dos Vícios na Liderança

    Chervenak e McCullough alertam contra vícios como viés injustificado, interesses próprios e corrupção. Quando líderes priorizam ganhos pessoais sobre o cuidado, enfraquecem o profissionalismo e minam a missão institucional.

    Relevância Atual

    Hoje, mais do que nunca, líderes médicos precisam garantir que instituições mantenham compromissos éticos. Uma liderança ancorada em humildade, abnegação, compaixão e integridade não só melhora os resultados clínicos, mas também promove ambientes saudáveis e valorizadores para pacientes e equipes.

    No Departamento de Cirurgia, professores buscam inculcar essas virtudes nos estudantes, preparando futuros líderes médicos comprometidos com ética e bem-estar. Liderar com uma bússola moral é fundamental para colocar o paciente no centro das decisões, especialmente em um cenário onde questões financeiras ganham destaque.

    Referência

    CHERVENAK, F. A.; McCULLOUGH, L. B. The moral foundation of medical leadership: The professional virtues of the physician as fiduciary of the patient. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 184, n. 5, p. 875-880, 2001.


  • Desafios de Liderar um Departamento Acadêmico

    Publicado em 05/10/2024 às 19:12

    Ser o chefe o de um Departamento Acadêmico envolve navegar em uma teia complexa de responsabilidades. Recentemente, me deparei com um artigo perspicaz de Rosemary Caron, intitulado ‘Liderança Departamental: Navegando Tensões Produtivas Enquanto se Encontra em um Papel Paradoxal,’ que aborda muitos dos desafios que acompanham a função de chefe de departamento.

    Caron destaca algumas das principais dificuldades enfrentadas pelos chefes de departamento, que ressoam com minha própria experiência:

    1.Equilibrar Funções Acadêmicas e Administrativas: Um dos desafios centrais é equilibrar o papel de líder acadêmico com o cumprimento de deveres administrativos. Frequentemente há uma tensão entre manter altos padrões acadêmicos e lidar com restrições logísticas e orçamentárias. Precisamos garantir que nossos programas permaneçam acreditados e mantenham a qualidade, ao mesmo tempo em que enfrentamos limitações de recursos — algo com o qual estamos bastante familiarizados.

    2.Gerenciar Expectativas do Corpo Docente e a Unidade do Departamento: Outra dificuldade relatada no artigo é o desafio de criar uma equipe docente coesa. Os professores muitas vezes têm visões divergentes sobre o desenvolvimento curricular, as prioridades de ensino e o foco da pesquisa. Construir consenso enquanto respeita as perspectivas individuais pode ser uma fonte contínua de tensão. Alinhar os objetivos dos docentes com a visão mais ampla do departamento exige diálogo constante e negociação.

    3.Falta de Autoridade Formal: Caron também enfatiza o paradoxo de ocupar o título de chefe de departamento, mas ter autoridade limitada para tomar decisões importantes. Há (muitos) momentos em que as políticas institucionais limitam a flexibilidade necessária para uma liderança mais adaptativa e compassiva. Restrições administrativas podem dificultar os esforços para apoiar plenamente o corpo docente e a equipe.

    4.Sustentar o Progresso a Longo Prazo: Por fim, o artigo discute como as prioridades institucionais de curto prazo muitas vezes entram em conflito com as metas de longo prazo do departamento. Por exemplo, decisões sobre o desenvolvimento de programas ou mudanças curriculares às vezes precisam ser tomadas com vistas às necessidades imediatas, mesmo quando essas escolhas podem não estar alinhadas com a estratégia de crescimento de longo prazo do departamento.

    Embora esses desafios possam gerar frustração, Caron argumenta que a tensão produtiva — quando bem gerida — pode levar a resultados positivos, como programação acadêmica inovadora e dinâmicas de equipe mais fortes. Pessoalmente, descobri durante minha careira, que abraçar essa tensão, em vez de evitá-la, muitas vezes leva a soluções construtivas. Mas isso exige reflexão e diálogo contínuos, tanto dentro do departamento quanto com a administração superior.

    Incentivo todos no nosso departamento — professores, funcionários e estudantes — a compartilhar suas opiniões e experiências enquanto continuamos a navegar juntos por esses desafios.

    Diálogo, abertura a novas ideias, respeito à diversidade de opiniões, comunicação efetiva e colaboração são fundamentais para o sucesso de qualquer departamento acadêmico e para o desenvolvimento de uma cultura organizacional sólida e inclusiva, que valoriza o crescimento coletivo.

    Prof. Getúlio R de Oliveira Filho

    Chefe do Departamento de Cirurgia

    Referência:  Caron, R. M. (2019). Departmental Leadership: Navigating Productive Tension While in a Paradoxical Role. Frontiers in Education, 4, 97. https://doi.org/10.3389/feduc.2019.00097

     


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